MiDFur (Melbourne in December Fur Meet) é um nato evento australiano que acontece anualmente em dezembro na cidade de Melbounrne, Austrália desde 1999.
Sua história é um exemplo interessante de como um evento pode ser comparado a vinho, que a cada ano fica melhor, onde em 1999 era considerado um furcontro com 5 participantes, evoluindo até 2009 com 247 participantes.
E agora em 2010 a organização preparou um vídeo para mostrar o que esperar do MiDFur 2010 com o tema “Heróis e Vilões”:
O Abando indo para seu 4º ano em 2011 não pode ser comparado a um evento de 11 anos de história, a evolução é orgânica, é como cuidar de uma árvore. Lembrando que o MiDFur começou com 5 pessoas, o Abando começou com 15. Não que o Abando vai pular para os gloriosos 247 participantes, mas é um exemplo de que quem zela e espera o tempo certo, tudo evolui :) é só promover e termos paciência.
Custando em média 195 aussie dólares (R$ 302,00) para entrar, o evento de down under já é mundialmente conhecido, um furcon que certamente precisamos visitar em nossa vida-furry.
What do you think, mate? ;)
O que Furry tem a nos ensinar sobre cultura? Bom, o Hreter deixou claro na matéria sobre As Metamorfoses de Ovídio que pode muito!
Agora quando olhamos os cangurus do nosso fandom, a maioria está relacionada a uma arte que provavelmente não sabemos de onde vem. Alguns fursonas aparecem em comissions tocando um didjeridoo (instrumento de sopro comprido) ou com pinturas tribais pelo corpo.
Mas de onde vem essa cultura? De onde os cangurus do nosso fandom tiraram essa influência? A resposta é simples: Dos Aborígenes! Agora de onde eles vieram e qual sua história (sofrida e polêmica até os dias de hoje por sinal) você provavelmente não sabe, mas não se preocupe, você está prestes a ganhar o dia nas próximas linhas!
Vamos contar aqui uma rápida e resumida história dos Aborígenes da Austrália, desde 40 mil anos atrás até os dias de hoje. A história pode ficar um pouco resumida, mas vale a pena pincelar sobre essa cultura:
O primeiro colono aborígene chegou nas terras onde conhecemos hoje como Austrália entre 40 e 80 mil anos atrás pelo que hoje conhecemos como Papua Nova Guiné (ou Indonésia para os íntimos).
Mas como todas as civilizações, eles destruíram muito da flora nativa o quanto sua tecnologia pode permitir. Após essa fase cruel, iniciou-se então um “estado estacionário” (alguns chamam de Harmonia Ecológica).
Como devem saber, o ecossistema australiano era muito hostil naquela época, principalmente por causa da tecnologia rudimentar, mas eles se adaptaram muito bem e cresceram em número: Entre 200 e 500 mil habitantes nativos. Sua tecnologia como dito não era avançada mas servia muito bem suas necessidades na época, e passavam muito de seu tempo pintando cavernas e paredes com os dedos, e registrando a história sobre suas origens (Dream Time).
Em 1788, os europeus chegaram às terras australianas, carregando com eles uma tecnologia mais avançada da Inglaterra, e iniciou-se assim uma recolonização.
E eles não foram gentis com os nativos. Imagine: Duas culturas primitivas baseadas na força e exploração alheia colidindo uma com a outra não poderia ter um resultado bom.
Com essa situação delicada, os ingleses pediram para o Governador Australiano (um Inglês, claro) para fazer um trato com a população nativa. Porém esse governador não conseguiu, entre outras coisas principalmente por não existir uma autoridade central (reconhecida, aceita e respeitada) entre os aborígenes. Eles eram dispersos em pequenas tripos, geralmente falando idiomas diferentes e quase sempre em estado de guerra com outras tribos rivais. Negociar alguma coisa nessas condições beirava o impossível. O governador local então reportou esse fato para o comando inglês.
Os ingleses então, embaraçados com essa situação perante a Europa, os ingleses convenientimente declararam a Austrália como sendo uma “Terra Nullius” (inabitada). E sendo uma “terra de ninguém”, os aborígenes não passariam de paisagem, e poderiam ser destruídos sem o peso na conciência.
Sabe-se que os colonos europeus foram responsáveis por espalhar muitas doenças entre os aborígenes, e como estes viviam isolados um dos outros, não haveria resistência em serem dominados pelos ingleses. Particularmente duas pragas variantes da varíola dizimou grandes quantidades da população aborígene entre 1792 e 1822. Havia também uma outra praga venéria, mas essa acredita-se que foi adquirida por um pescador não-europeu no norte da Austrália.
Contudo houve um período baixo nas guerras coloniais. Nessa época as mortes de Aborígenes eram principalmente causadas por fazendeiros locais, que matavam aborígenes por roubarem suas ovelhas para comer. Matar um aborígene era que nem matar uma raposa que causa problemas no galinheiro.
Após isso, o território foi reconhecido como uma nação em 1901, e tinha a democracia como sistema social. Apesar que ela era quase “democrática”, pois os aborígenes não eram aptos a votar. Eles nem sequer eram considerados “australianos”! Lembram-se, eles eram paisagem, paisagem não vota.
A última chacina aborígene aconteceu em 1926 depois que um “Australiano-europeu” foi morto por um aborígene, um oficial local da polícia convocou a população para matar toda a tribo local. Envergonhados com essa situação, as autoridades tomaram medidas para evitar que isso ocorra novamente.
Basicamente os aborígenes foram encorajados a mudar-se para “assentamentos” longe dos centros urbanos ingleses para evitar maiores problemas.
Os europeus sempre consideraram os aborígenes como uma raça inferior a eles (similar a época da escravidão no Brasil), e sempre acreditaram que essa raça iria simplismente “morrer” com o tempo. Essa crença foi a pique depois que crianças mestiças começaram a aparecer nos assentamentos.
Um grande problema conceitual surgiu nesse momento, pois apesar de serem aborígenes, elas eram decendentes de europeus também. E deveriam então ser criadas como uma criança branca.
Nos anos 30, 40 e 50 o governo, instituições de caridade e igrejas deslocaram muitas crianças mestiças dos assentamentos para orfanatos na cidade, em alguns casos ajudaram elas a serem adotados em famílias brancas. Isso fez crescer o sentimento de que crianças parcialmente brancas podiam ser introduzidas na sociedade branca. Alguns pais aborígenes (e paricialmente aborígenes) deram seus filhos voluntariamente (e alguns foram retirados a força). Estima-se que 15% das crianças mestiças foram removidos de seus familiares nesse período.
Muitas crianças mestiças foram removidas de suas mães nesse período – particularmente mães solteiras que se sentiram incapazes de criar uma criança. A separação dos pais e das crianças foi muito comum naquela época.
Em 1967 depois de um referendo federal, os Aborígenes tornarams-e cidadãos e podiam votar em eleições estaduais e federais finalmente.
Por volta dos anos 80, o ato de tirar as crianças de suas famílias foi considerado como “cruel”. Estimulados pelas novas ideologias, os filhos mestiços daquela época (hoje adultos) viram isso como uma oportunidade para protestar e exigir uma compensasão financeira do governo.
O governo então direcionou os melhores extperts em situações sociais para tomar conta desses processos, e desse fato surgiu o termo “geração roubada”.
Os atos ativistas aborígenes continuam com bastante força ainda hoje, mas está fragmentado em diferentes grupos com diferentes aspirações.
Alguns grupos aborígenes acreditam que sua cultura foi quase perdida, e a melhor maneira de consertar era integrar esta à população. Infelizmente eles não eram culturalmente compatíveis. A cultura moderna do primeiro-mundo (capitalista) é incompatível com a cultura tribal. Culturas capitalistas são baseadas em produção e não em relacionamentos, elas são baseadas em bens adquiridos e não na comunidade. E são baseadas em sacrifício de tempo e planejamento a longo prazo e não em resposta imediata.
Alguns grupos aborígenes pensavam que voltar as origens era a melhor maneira de seguir adiante com a cultura, e que teriam uma melhor vida se viverem em tribos isoladas do resto da sociedade novamente. Muitos de seus compatriotas europeus gostaram da idéia – era uma chance de curar sua população indígena.
Entretanto, as tentações da “tecnologia do oeste”, cultura capitalista e drogas eram mais atrativas para muitos dos aborígenes, e essa abordagem acabou não dando certo.
A realidade é que a cultura aborígene não tem nada a oferecer para a cultura moderna da Austrália, exceto pelas técnicas de pintura (como por exemplo o uso de vários pontinhos), pela música (como o didgeridoo) e vários mitos sobre o passado (Dream Time). Ignorar esses fatos é sentenciar ainda mais os aborígenes australianos ao esquecimento, e consequentimente a marginalidade.
Mesmo três gerações sendo auxiliadas por assistências sociais não ajudaram a melhorar o cenário deles. Subsidiar financeiramente a cultura ao invés de faze-los orgulhosos de seu passado os impedem de adaptar-se ao novo cenário.
Ações Afirmativas (exemplo daqui: Cota de afro-decendentes nas universidades públicas brasileiras) apenas criou mais suspeitas sobre a qualificação profissional dos aborígenes, e criou também desconfiança e resentimento dos próprios aborígenes sobre suas oportunidades terem sido reduzidas com isso.
Por fim, o fato é que os aborígenes vão fazer parte da sociedade australiana quando a Austrália parar de apadrinha-los com diferenciação.
Essa é a história resumida sobre os aborígenes e de onde vem a arte que agracia nossos cangurus do fandom. Mas notaram uma semelhança com o que aconteceu no Brasil colônia? :)
Fonte: Bovination

Tendo a sua estréia em solo nacional no Anima Mundi 2009, The Cat Piano é um curta animado recente do estúdio australiano People’s Republic of Animationl, ganho o festival de cinema de Melbourne, o AFI (Australian Film Institute) nomeou como melhor curta do ano, e também o Yoram Gross como melhor curta no Sidney FILM Festiva; tem a participação especial de Nick Cave. Foi dirigido por Eddie White e Ari Gibson e seu conteúdo é descrito como “Uma cidade de gatos cantores é ameaçada por uma sombria e misteriosa criatura determinada a apresentar sua própria obra-prima felina.” (mais…)

Há observações e complementos dessa licença que devem ser lidos em: Compartilhamento.