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Notícias


13
fev

Fandom no Brasil x Exterior

Por Tanuki Gokuhi
Por Tanuki Gokuhi

Há 10 anos atrás o Brasil começou a engatinhar oficialmente com o termo “Furry”. Desde então, muitas coisas aconteceram (boas e  ruins), coisas que acontecem normalmente com qualquer sub-cultura que nasce, ainda mais uma sub-cultura que ainda não encontrou nem sua própria definição (a qual todos usam a mesma resposta para defini-la).

Já o fandom Norte Americano está com sua idade “biológica” de 25 anos, contra a puberdade brasileira dos 15 (sim, estamos novinhos), mas a evolução de toda a estrutura do fandom os colocam num status diferente do brasileiro (não que seja melhor ou pior).

A influência anglo-saxônica somada a idade média dos membros do fandom resultam no que hoje vemos por aí (Quem hoje não tem uma conta no FurAffinity?).

Economia

Fender, por "Mutley James"

Quanto você ganha? Você trabalha com o quê?

O Fandom norte americano tem sua maior parcela concentrada de pessoas com 28 a 30 anos, empregadas (algumas tirando sustento do próprio fandom, lê-se escritores, artistas, criadores de fursuits, “heads” de eventos).

Com essa idependência financeira, mesmo não sendo grande, os furries norte americanos tem uma economia aquecida, movida pelo comércio de artigos relacionados a furry: Livros, Ingressos para eventos, imagens comissionadas, fursuits, viagens, etc). Tal como acontece no universo Otaku, existem muitas pessoas que trabalham que queimam seu salário com “aquele poster super irado de Cowboy Bebob” ou com ingressos caríssimos do AnimeFrieds.

Para terem uma idéia, existem editoras que só publicam impressos relacionados a furry, a mais famosa é a SofaWolf, fora lojas que revendem e publicam impressos também como a Rabbit Valley. Lá, livros e publicações famosas como Heat, Dog’s Days of Summer e Waterways possuem até ISBN!

O famoso site FurAffinity hoje sustenta uma infra estrutura de dar inveja a muitos portais famosos brasileiros. Não que eles estejam nadando em dinheiro, mas é necessária uma visão de empresa para manter um portal que recebe um upload de imagem a cada 8 segundos sendo requisitadas mais de 1 milhão de vezes por dia (assustador, fonte WikiFur). Mas não deixando de lado o VCL, um diretório bem old school de artistas.

Sociedade

Fursuiter "Rappy"

Fursuiter "Rappy"

Assim como no Brasil, o fandom norte americano espalhou-se por meio da internet, fóruns e grupos de discussão foram os principais meios. Hoje são 122 fórums (contando com o FurryBrasil) de acordo com a WikiFur, a maioria desempenha seu papel: Forums locais ou nacionais que reúnem o pessoal.

O que é Orkut aqui, é Facebook lá. Sem contar que existe (existia) o FurNation, uma das maiores redes sociais furry do mundo fundada pelo Nexxus, que infelizmente morreu por problemas financeiros. Hoje ele é uma sub-rede da Ning, nada muito interessante. No exterior o maior portal (Greatest Journal) de notícias saiu do ar, hoje quem segue a linha aqui no Brasil é o próprio FaunaUrbana.

Se as pessoas no Brasil sofrem com o fenômeno panela, no exterior isso é muito mais acentuado e mais “na cara larga”. É muito comum ver em Eventos e até Furcontros pessoas se agrupando em panelas, formando rodinhas e conversando entre eles. E não há “soltos”, todos tem panelas, ou seja, você precisa se virar nos 30 para entrar em uma panela, e claro, ser aceito por ela. Pertencer a múltiplas panelas é permitido, desde que elas não sejam “inimigas”. Mas importante: Isso na cultura anglo-saxônica pode ser até aceitável, na cultura brasileira isso é chamado de “anti-social”. Se você pertence a um grupo pequeno afastado do grande, pense novamente ;)

Fursuiters e “Os Outros” são vistos no Brasil como grupos distintos, separados por um imenso abismo. Em fandons mais maduros, todos se ajudam, se respeitam, e são pró-ativos EM AMBOS os lados para resolver problemas. Quando um lado se desentende, geralmente há um que tenta unir novamente. Afinal, todos estão pela mesma causa, a união faz a força.

Se você estiver separado num grupo, seja pró-ativo e tente começar um diálogo :), SEMPRE há alguém do outro lado também disposto a resolver o problema.

Eventos

Foto do Feral! 2009

Eventos são super badalados. E são uma fonte de dinheiro certa para os mais focados em compra/venda. O exemplo disso é o famoso Anthrocon que acontece desde 1997 na Pensilvânia, EUA, e já teve quase 2.500 participantes. Muitos eventos tem fins lucrativos (como a AnimeFriends, que todo mundo reclama, mas paga e vai) e a exemplo da Anthrocon que teve tanto lucro que permitiu-lhes fazer uma doação de 86.000 dólares para entidades de defesa dos animais.

Nem todos os eventos tem fins lucrativos, a exemplo do Camp Feral!, um tradicional evento canadense que ocorre em um camping, mas conta com a presença de brasileiros, americanos e até pessoas da Europa. No Brasil, o único evento registrado e reconhecido pela comunidade furry no exterior é o Abando, também sem fins lucrativos.

Algo importante de se notar, é que todos os eventos são pagos para se auto-sustentar. Toda reunião entre furries onde não há entrada (ou pague o que consumir), mesmo se há um cronograma, é chamado de Furcontro por todos os furries do exterior. Muitos furcontros acontecem anualmente, mensalmente e até mesmo semanalmente!, e contam com uma variedade enorme de temas, como Café da Manhã, Passeio com Fursuit, Trilhas, Aniversariantes do Mês e até Boliche.

Muitos eventos contam com voluntários, em troca, eles ganham popularidade. Mas ainda sim pagam entrada. Se pegarmos o Abando como exemplo, os Staffs pagam sua própria entrada também além de se dedicar em trabalhar no evento em si. Muitos eventos no exterior seguem esses moldes.

Hormônios

Toda sociedade ou grupo de pessoas tem seus problemas, e principalmente tem os “garoto problema”s de sempre. No Brasil temos nossos problemas e desavensas assim como qualquer grupo. Mas nada coparado ao Sibe, com sua ficha policial completa na WikiFur o rapaz causou uma orda de problemas no FurNation, FurAffinity, processos pela Rabbit Valley, expulsões do Anthrocon e outros eventos do EUA e Austrália (e sites como FA, LiveJournal, etc), trollagem, ataques hacker além de vários casos policiais entre outros furries. Seu último feito foi processar o GreenReaper, atual mantenedor da WikiFur por manter esses dados divulgados.

Acreditamos que ele vai processar o FaunaUrbana por repassar esses dados :)

Around the World

Se você sobreviveu a leitura até aqui, saiba que isso ainda foi bem superficial em relação ao fandom Norte Americano (incluindo Canadá). Existem muitas diferenças também deles para com o resto do mundo. Por exemplo o Hreter, tem experiência com o Fandom Europeu e me ajudará na composição da matéria que dará sequência a essa, e o Hwei Chow, que teve contato com o Fandom Argentino, um pessoal legal que devemos um dia conhecer também!

E você? Tem contato com algum fandom? Falamos alguma besteira?

A pergunta principal é: O que você acha que o Brasil poderia ter, que o fandom Norte Americano já tem? Comentem! :)

11 comentários para “Fandom no Brasil x Exterior”

  1. Bobby disse:

    ah poderiam ter mais eventos relacionados, mas dado ao numero pequeno de furries brasileiros, já é um grande feito ter o abando 1 vez por ano

    no meu caso q trabalho com arte, encontrei um mercado muito bom lá fora dentro do furry; se no Brasil tivesse o msm publico ficaria tri-happy rsrs

    enfim, resumindo axo q faltam msm mais eventos relacionados, pq sempre axei o fandom daki bem organizado; acredito q no futuro o furry vai se expandir mais pra q isso aconteça

  2. Dash the fox disse:

    Pelo que tenho visto,tudo que os States tem nós temos, porém em menor escala, é só uma questão de tempo e esforço e o fandom crescerá mais e mais.
    Acho que o que falta aqui seriam mais produções artísticas!Porque penso, artistas de arte furry que postam desenhos só na net, fica algo muito distante, falta mais contato com o público e também variedade(que tal…quadrinhos??).
    O que quero dizer é: que tal começarmos a produzir fanzines de arte furry e vender/divulgar nos eventos?Não seria uma boa?
    Já comecei a fazer o meu, vamos botar nossas patinhas pra rabiscar^^

  3. D L Kamau disse:

    Bem…acho que o que falta aqui é um pouco de iniciativa.
    Tipo lá fora eles não se envergonham de vestirem a camisa…e tão pouco ligando pro tal do bom senso que algums aqui pregam.
    Panela…em todo lugar tem..e como os furrys do brasil são poucos acho que ainda não da pra se dizer que da pra dividir a categoria. (isso se não levar em conta os fursuiters que por culpa do bom senso já se distanciaram um pouco de nois)
    Coisas lucrativa acho que seria uma boa…mas vide que a maioria dos artistas tem uma vida particular paralela ai fandon..é um pouco dificil de conciliar…Mas ajudaria se o artista que estivesse interessado em fzr artes comissionadas colocasse algum post avizando quando estara disponivel pra um comission.
    Abando é muito bem vindo ( um dia ainda quero participar de um) serve pra mostrar que aexiste mais do que avatares e coments por tras do fandon, e ate dá combinar algo.
    É isso ai.

  4. FelipeWolf disse:

    Gostei muito da matéria muito boa =D

    axo tambem que poderia ter mais eventos, apensar de não saber como fazer para que eles se torna-sem maiores =/

    no caso de art, aqui dentro me apreçe ter pouco mercado, axo que poderia ser um pouco mais aberto ou divulgado de uma forma a não pegar a visão ruim de qualquer fandom.

  5. Hreter disse:

    Materia otima, agora ja tenho as ideias organizadas sobre como eh o fandom la nos States.
    Aqui na Espanha… Bem, a hisotria eh diferente. Aqui temos, em partes, mais que no Brasil, mas por outro lado, pode-se dizer que nao temos nada. Mas isso eh historia para outra materia.

  6. Boa matéria! =3

    Bem… Vejo que todos falam de iniciativa, mas como foi debatido nesse Abando, eu imagino que antes disso é necessário acabar com as picuinhas e disputas ridículas que temos dentro do fandom. Todos temos de deixar de lado os nossos egos e lutarmos juntos por um bem comum e não pelo simples fato de querer ser “Pop”. Aí sim, depois disso tudo entra a iniciativa.

    Temos potencial e criatividade para fazer coisas bacanas, o que nos falta é organização e maturidade para deixar essas diferenças ridículas de lado.

    O verdadeiro herói não é aquele que ajuda para querer aparecer, mas sim aquele que ajuda e permanece oculto.

    • Tanuki Gokuhi disse:

      Falou bonito!

      Já vi tanta coisa errada:
      – Olha! Vamos fingir que o Abando não existe porque o meu inimigo-mimimi via lá e falar que vamos fazer “O PRIMEIRO EVENTO FURRY DO BRASIL!!!!”

      ou dias depois do FaunaCast ir pro ar, ouvir coisas do tipo:
      – Tive uma idéia do nada e orginal! Vou fazer um Podcast!!!

      Enquanto as pessoas não atribuírem os valores já gerados no fandom, nunca vamos andar pra frente. Humildade é a melhor propaganda, e as pessoas gostam disso, se você é humilde, não deixe de falar de onde tirou a idéia, o que lhe inspirou… as pessoas vão reconhecer e dar muito mais mérito a sua idéia também.

      Senão… o tempo faz o trabalho de destruír sua reputação ;)

  7. Jrrhack Label disse:

    Falou e disse Tanuki, nao faltam iniciativas, faltam pessoas que se comprometam a levar as coisas adiante.

  8. Hwei Chow disse:

    Uma coisa que me aborrece muito e que me levou a me afastar um bocado do fandom foram exatamente as picuinhas e disse-me-disses que há nele… Chegamos ao ponto absurdo de gente ficar imaginando picuinhas até aonde elas não existem, como por exemplo que o pessoal do FB não gosta do pessoal do FU e vice-versa. Um complementa o outro, cada um tem um foco e isso é saudável… NÃO HÁ PICUINHAS ENTRE UM E OUTRO!
    Na verdade, acho que o mal de nosso fandom não é as picuinhas em si, mas o que gera elas, que é uma briga infantil para ser “famoso” no fandom… A estrela… O alfa… Mas pra mim isso é idiotice, pois a fama no fandom é efêmera… Você pode até estar a frente de um pequeno grupo, mas qual o real motivo deles estarem atrás de você? Na minha opinião, o fandom anda bem melhor quando todos opinam e tem voz…
    Como disse várias vezes no Abando: “A banda toca mais bonito quando todos tocam juntos”

    Quanto a questão Brasil vs Resto do Mundo, penso que, cada fandom tem uma “personalidade” diferente devido à cultura aonde ele se desenvolve. Podemos comparar o nosso fandom com o americano, mas é preciso pensar também pelo lado cultural… Americanos pensam de forma mais individual, presam mais a liberdade pessoal e o direito de se expressar, brasileiros tendem a pensar de uma forma um pouco mais egoísta, é verdade, mas, culturalmente trazemos o traço ibero-africano de sacrificarmos um pouco de nossa liberdade pessoal para vivermos em sociedade, já que isso pode nos trazer beneficios e vantagens pessoais (a parte egoista de que falei) e nisso cai a parte do bom senso, aonde preferimos não chocar a sociedade para que ela nos olhe com bom olhos e com isso obtermos vantagens….
    Acho não podemos nos esquecer que somos brasileiros e que precisamos desenvolver nosso fandom mais dentro de nossa cultura e costumes para que ele possa ser mais facilmente pela nossa sociedade…

    E fechando, não tenhamos pressa, porque nosso fandom finalmente está tomando corpo e se desenvolvendo. Um dia teremos eventos de grande porte por aqui sim, assim como também seremos conhecidos pela sociedade (para o bem ou para o mal), mas vamos dar um passo de cada vez… Sonhar é bom, mas é preciso manter os pés no chão e ver bem aonde se pisa.

    • GreenReaper disse:

      Even within the USA there are many different opinions on how the fandom should be run. Some think we should make compromises to get on better with society, others are less interested in doing so. Some want to reach out to the media, others think we should hide away.

      There is no solution that will please everyone, so I suggest just doing what you think is right. At least then you will be happy with your actions.

  9. GreenReaper disse:

    Just to clarify . . . no furry convention that I know of tries to “make a profit.” However, some – like Midwest FurFest or Further Confusion – give some of their registration fees directly to charity, because that is part of their purpose. Because of this, if you give money to them, it is as if you gave it to a charity for tax purposes.

    Others events, like Anthrocon, do not have charity as an official goal, but they still raise money for charity through auctions where they sell products and services donated by other people.

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